Caos-mundo

João Castilho

23/Mar/2013 – 20/Abr/2013

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    No dia 23 de março, às 14h, a Zipper Galeria abre, paralelamente a SP-Arte, a exposição individual do artista mineiro João Castilho, que mostra um trabalho focado em fotografia, vídeo e instalação. Para Caos-Mundo, João mostra uma série de trabalhos que discute a situação política atual no mundo, inspirado no conceito de ‘caos-mundo’, do escritor francês Edouard Glissant, que discorre sobre as tensões e pressões que o cidadão contemporâneo enfrenta. A exposição fica em cartaz até 20 de abril.


    De acordo com Castilho, as imagens presentes em suas fotografias, vídeos e instalações, mostram a dupla presença entre o real e a alegoria que transitam pelo mundo moderno de cada ser. “As imagens foram realizadas em territórios diversos abordando situações onde o sujeito e o mundo que o cerca já entraram em colapso e, dessa forma, são jogados para um lugar de máxima indeterminação, fora da lei, fora de todo o direito”, explica o artista.


    Os trabalhos, em sua maior parte, não se referem a fatos ou personagens específicos, mas situações que apresentam a ação e relação do homem com cada momento recortado pelo artista. “Por mais que se trate de uma conjuntura histórica específica - a contemporaneidade, as imagens nestas obras aludem a uma indeterminação, não apenas no sentido temporal e espacial, mas também em relação à própria natureza dos sujeitos”, define Castilho.


    Castilho apresenta três trabalhos que envolvem a fotografia. Em Retirante, um políptico com 32 fotografias, em preto e branco, mostra diversos caminhos e rastros criados por pessoas no cerrado. O jogo entre o branco e o escuro, narra os trajetos não personificados, criados entre as cidades no interior do país. Já em Vade-Retro, sete fotografias inéditas falam da relação do homem com a natureza. Sem visivelmente mostrar a ação do homem, Castilho trata de forma híbrida e saturada o que o homem produz dessa relação. Já o díptico preto e branco A Errância e O Exílio, mostra duas percepções diferentes do artista de um mesmo local; um túnel escuro.


    Os vídeos também estão presentes nesta exposição. A vídeo-instalação Erupção conta com seis televisões que exibem simultaneamente diversos vídeos retirados da internet e feitos por pessoas anônimas. As temáticas dos vídeos são as mesmas, ônibus de grandes centros urbanos do país sendo queimados. Castilho editou cada vídeo para que a sincronia do acontecimento fosse a mesma para todos, que começam com um pequeno fogo a se alastrar e vira uma grande fogueira urbana, aludindo a uma grande erupção social que acontece atualmente nas grandes capitais do Brasil. No vídeo Abismo, por sua vez, uma sequência sem cortes de 2’40’’, registra um barco que navega lentamente por um rio; conforme o barco se aproxima, detalhes dele são mostrados para o espectador.

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