Felipe Seixas

Felipe Seixas

13/Abr/2019 – 04/Mai/2019

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Press Release

A matéria, bruta ou incorpórea, ocupa um papel dominante no trabalho de Felipe Seixas. Materiais industriais, como concreto, aço, asfalto e neón, luzes produzidas a partir de dispositivos digitais gráficos e corpos orgânicos, como o carvão vegetal, são submetidos pelo artista a ordens composicionais em sua investigação formal. E, a partir das características e do posicionamento de cada um dos elementos na estruturação dos trabalhos, o artista estabelece situações dialéticas das quais seu discurso emerge.


Agora em escalas amplificadas, Felipe Seixas realiza sua segunda individual na Zipper. Com curadoria de Douglas de Freitas, a mostra inaugura no dia 13 de abril, às 12h. “Esta produção recente tem uma importância singular porque representa o momento em que constituí um amplo espaço para desenvolver e conceber os trabalhos. Daí a nova dimensão das obras”, conta o artista.


A nova série de trabalhos busca extrair o máximo dos materiais. “Meu interesse é inserir dentro da forma a noção dialética entre o que é matéria e o que é imaterial, o que é efêmero e o que tem duração indeterminada”, ele afirma. Estabelecendo dicotomias, Felipe Seixas mira o equilíbrio entre o corpóreo e o intangível. Gráficos digitais impalpáveis coexistem com a matéria robusta; elementos que emitem luz se relacionam diretamente com materiais opacos e escuros; líquidos e gases, partículas em justaposições, repousam sobre corpos robustos.


A individual de Felipe Seixas na Zipper segue em cartaz até 4 de maio.


Sobre o artista
Felipe Seixas (São Bernardo do Campo, 1989) explora a relação entre materiais na construção da forma. Concreto, carvão, areia, asfalto, argamassa, aço, madeira, pigmento figuram em sua pesquisa escultórica muitas vezes em contrapostos à imaterialidade das novas tecnologias, incorporadas em sua produção mais recentes. O artista é bacharel em Comunicação Social com habilitação em Design Digital (2011) pela Universidade Anhanguera, São Paulo. Participou dos cursos "A escultura como objeto artístico do século XXI", com Ângela Bassan (2015), e "Esculturas e Instalações: possibilidades contemporâneas" (2016), com Laura Belém, ambos na FAAP; e integrou o grupo de acompanhamento de projetos do Hermes Artes Visuais, com Nino Cais e Carla Chaim. Entre suas principais exposições estão 250º Summer Exhibition – Art Made Now, Royal Academy of Arts, Londres, Inglaterra (2018), Salon de Videoarte Joven Latinoamericano, Espacio a2, Lima, Peru (2018), Hagase la Luz - Fundación ArtNexus, Bogotá – Colômbia (2017), XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira 2017, Portugal (2017), 2ª Bienal Caixa de Novos Artistas, Caixa Cultural São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, Brasil (2017) e 28° Mostra de Arte da Juventude SESC Ribeirão Preto (Prêmio) (2017).


Sobre o curador


É bacharel em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina. Entre 2006-2008 foi estagiário da curadoria de artes visuais do Centro Cultural São Paulo. Desde 2008 trabalha na curadoria de artes visuais do Museu da Cidade de São Paulo, rede de exemplares arquitetônicos tombados pelo patrimônio histórico, onde realizou a performance de Maurício Ianês (2011), as instalações de Tatiana Blass (2011), Lucia Koch (2012), Iran do Espírito Santo (2013), e Felipe Cohen (2013) na Capela do Morumbi; e a instalação de Sandra Cinto (2013), na Casa do Sertanista. Entre 2010 e 2012 foi coordenador do Edital de Arte na Cidade da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, que realizou sete projetos de grande escala em espaços públicos. Foi selecionado na Temporada de Projetos 2012 do Paço das Artes (SP) com projeto na categoria Curadoria. A mostra Instável reúne obras de Ana Paula Oliveira, Laura Belém, Laura Vinci, Marcelo Mosqueta, Geórgia Kyriakakis, Maurício Ianês e Marina Weffort. Também em 2012 realizou a curadoria da exposição ‘Película’ do artista Júnior Suci, na Galeria Virgílio; e em 2013 a curadoria da exposição ‘Jogo de Memória’, do artista Reynaldo Candia, no mesmo espaço. Em 2013 foi premiado pela Funarte com curadoria da exposição da artista Carolina Paz a ser realizada em 2014 na Sala Nordeste de Artes Visuais de Recife.

Texto crítico

“...devemos recordar que se a ideia de um mundo construído de átomos sem peso nos impressiona é por que temos experiência do peso das coisas; assim como não podemos admirar a leveza da linguagem se não soubermos admirar igualmente a linguagem dotada de peso.” Italo Calvino (Seis propostas para o próximo milênio)


Felipe Seixas tem a escultura como meio principal da sua prática artística. Seus trabalhos partem de uma discussão dos princípios matéricos da escultura, como peso, leveza, equilíbrio, e principalmente, a matéria empregada nas obras. Diferente da operação tradicional da escultura, do ato de esculpir propriamente, ou do uso de materiais historicamente tradicionais, como o metal ou mármore por exemplo, as esculturas de Felipe partem primeiramente do encontro de certos objetos e elementos existentes no mundo banal, no dia a dia, como o concreto, vergalhões, borrachas, entre outros materiais industriais e comerciais.


Junta-se a esse principio uma aproximação, ou apropriação de questões arte minimalista, ou da arte povera, onde os elementos se organizam espacialmente por composições sequenciadas, enfileiradas, ou em arranjos armados em equilíbrio, a beira do desmanche. Em alguns momentos o uso da luz artificial também surge, através de um néon, lâmpada, projetor ou até mesmo um monitor de tv. Esses elementos entram como força de empate, contrastam a matéria densa e presente dos trabalhos, como concreto e carvão, com a imaterialidade da luz, pulsante e instável.


Em sua nova individual na Galeria Zipper Felipe Seixas dá continuidade ao seu pensamento de compor no campo do tridimensional, mais uma vez o concreto surge como um dos materiais centrais para a construção das obras. Mas diferente dos trabalhos anteriores, aqui não há arranjo formal geométrico delicado, ou uma preocupação extrema de encaixe ou emparelhamento preciso de peças. O material agora é trabalhado fisicamente, surge bruto, suspenso contra a gravidade, ou cedendo à ela.


A partir do arranjo desses novos trabalhos no espaço, Felipe Seixas cria na Galeria uma paisagem em ruina, queimada, quebrada e que se reorganiza em composição para se reerguer em construção.


Na década de 1950 Barnett Newman afirmou: “Escultura é aquilo com que você se depara quando se afasta para ver uma pintura”(1) . O trabalho de Felipe propõe uma relação de flerte entre pintura e escultura, percorrer o espaço é parte essencial do trabalho. As obras se arrastam no chão, se lançam ao alto, se apoiam ou se fixam nas paredes. A escultura de Felipe não se isenta de uma discussão pictórica, mesmo que as cores empregadas nos trabalhos, sejam as próprias cores das matérias eleitas pelo artista. O negro do carvão, ou da borracha queimada existe na obra em relação a imaterialidade de luz do neon, ou da imagem pulsante de uma projeção. Como no mundo, fluxo e imobilidade se encaram.


(1)KRAUSS, Rosalind. A escultura no campo ampliado. Trad. Elizabeth Carbone Baez. Revista Gávea. v. 1. Rio de Janeiro, 1985, p. 87-93. v. 1. Rio de Janeiro, 1985, p. 87-93.

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