Miguel Penha Chiquitano (Cuiabá, MT, Brasil, 1961) vive e trabalha na Chapada dos Guimarães, que descreve como seu "ateliê a céu aberto". Pintor autodidata, é filho de pai Xiquitano que fugiu da convocação da Guerra do Chaco na Bolívia e de mãe Bororo. Passou a primeira infância na beira do Rio Cuiabá, envolto no ritmo da pesca e da caça, antes de ser entregue para adoção, aos nove anos, em Goiânia. Em 1980, mudou-se para Brasília com o pai adotivo, que trabalhava com leilões de arte e antiguidades, e ali começou a desenhar com mais frequência usando nanquim e lápis de cor. Em 1984, mudou-se para a Chapada dos Guimarães, onde se estabeleceu.
A obra de Chiquitano nasce de uma relação de escuta e imersão direta com os biomas do Cerrado, do Pantanal e da Amazônia. Em suas telas, a floresta opera como uma linguagem viva, um organismo que respira, guarda memória e convoca espiritualidade. Em suas pinturas, que costumam ter grandes dimensões, não há seres humanos, animais ou ação narrativa explícita; o protagonismo é da floresta e da densidade da mata.
As paisagens são construídas por sobreposições cromáticas em óleo, acrílica, cera de carnaúba e pigmentos naturais, em que raízes, troncos, névoas e seivas operam como signos de um território em risco. A pesquisa cromática de Chiquitano se distingue pela alta experimentação. O artista nunca utiliza tinta preta. Seus tons escuros surgem da mistura de vermelho com verde ou do acréscimo de azuis. O azul assume protagonismo na paleta e traz a umidade das florestas tropicais.
Veterano com mais de quatro décadas de trajetória, Chiquitano recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça da Funarte (2009) e foi indicado ao Prêmio PIPA (2008).
A série Dentro da Mata, principal eixo de sua produção, foi apresentada em uma sequência longa de individuais entre 2010 e 2016, com curadoria de Fabíola Henri Mesquita e Marcio Harum, em instituições como o Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi (2016), o Centro Cultural Germânico de Niterói (2015), a Temporada de Projetos do Paço das Artes em São Paulo (2014), o Centro Cultural da Câmara dos Deputados em Brasília (2013) e a itinerância do Prêmio Sesc Amazônia das Artes por Teresina, Porto Velho, Macapá, São Luís, Belém e Manaus (2011). Realizou ainda as individuais A Sapopema da Samaúma. O desaguar do Igarapé, no Centro Cultural Veras (Florianópolis, 2024, com curadoria de Josué Mattos), e Terra Rara, no Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT (Cuiabá) e no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande (2016).
Participou de coletivas como Text Me When You Get Home, na Orma Galleria (Milão, 2026); Lírica, Crítica e Solar - artes visuais em Mato Grosso, no Museu Nacional da República (Brasília, 2025); 1ª Bienal das Amazônias, em Belém (2023) e em itinerância no Museo de Arte Moderno de Medellín (Colômbia, 2025), com curadoria de Keyna Eleison e Vânia Leal; Dividir multiplica, no The55 Project / Untitled Art Fair (Miami, 2023); La Déesse Verte, no Eldorado/Lille3000, (Lille, França, 2019, com curadoria de Dorothée Dupuis); Campos Gerais, no Instituto Adelina (São Paulo, 2018, com curadoria de Josué Mattos); o 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, no Sesc Pompéia (São Paulo, 2017); e o 11º Abre Alas, na Galeria A Gentil Carioca (Rio de Janeiro, 2015). Suas obras integram coleções institucionais como o MARCO (MS), além de importantes acervos privados.

