André Penteado São Paulo, Brasil, 1970

André Penteado (São Paulo, Brasil, 1970) vive e trabalha em São Paulo. Sua prática reúne fotografia, vídeo e texto, com investigação que articula pesquisa documental, micro-história e elaboração subjetiva. A carreira teve início em 1998 e se consolida pelo cruzamento entre eventos da história brasileira anteriores à invenção da fotografia e experiências pessoais de forte carga emocional.

 

Os projetos do artista nascem de longos períodos de pesquisa em arquivos, leituras de historiadores e entrevistas. Para Penteado, a fotografia documental tem paralelo com a historiografia, e o ato fotográfico opera como gesto arqueológico: dispositivo capaz de resgatar fragmentos, vestígios e ausências. Visualmente, suas imagens são marcadas pelo uso de flash para eliminar sombras, revelando detalhes que poderiam permanecer ocultos. A pesquisa sobre revoluções como a Cabanagem (Pará, 1835-1840) e a Farroupilha (Rio Grande do Sul, 1835-1845), e sobre a Missão Francesa (1816), reposiciona a fotografia como exercício de revisão da identidade nacional e crítica à persistência de modelos eurocêntricos na formação da arte e da sociedade brasileiras.

 

Outra vertente decisiva da produção de Penteado parte da experiência pessoal do luto. Sua série O Suicídio de Meu Pai, iniciada após a morte do pai, deu origem ao livro homônimo (2014) e foi seguida por Não Estou Sozinho (2016), em que retratos, espaços vazios e registros de objetos compõem uma reflexão sobre o luto por suicídio. A organização densa e sem respiros do fotolivro Não Estou Sozinho constrói materialmente a experiência psicológica do tema. Os fotolivros são um dos suportes centrais de sua produção, junto com instalações e exposições em que a relação entre imagem, texto e espaço é planejada como dispositivo narrativo.

 

Penteado tem obras nas coleções da Pinacoteca de São Paulo, do Museu de Arte do Rio (MAR), do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, do Museu de Arte Contemporânea da Casa das Onze Janelas (Belém), da Bibliothèque Nationale de France (Paris), da Universidad de Sevilla e da Fundação Marcos Amaro. Realizou as individuais ReFundação (Museu da Inconfidência, Ouro Preto, 2024 e Galeria Reocupa, São Paulo, 2023), Desmedida (Zipper Galeria, 2018), Missão Francesa (Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, e Zipper Galeria, 2017), Não Estou Sozinho (Centro Cultural São Paulo, 2016), Imagem-Movimento (Zipper Galeria, 2016) e Dad's Suicide (Festival de la Luz, Buenos Aires, 2012; Photofusion Gallery, Londres, 2011), entre outras. Recebeu o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2012-2013. Publicou os fotolivros: Farroupilha, Missão Francesa, Não Estou Sozinho, Cabanagem e O Suicídio de Meu Pai.