Willian Santos Curitiba-PR, b. 1985

Willian Santos (Curitiba, 1985) é bacharel em Artes Visuais pela Universidade Tuiuti do Paraná (2009) e vive e trabalha em Florianópolis, Brasil.

 

A prática de Willian Santos investiga ecossistemas naturais, com ênfase em ambientes marinhos e territórios marcados pela presença da água, tomados como campos de experiência ligados à transformação e à instabilidade ambiental. A fenomenologia da água percorre sua pesquisa como elemento de fluxo, memória e percepção sensorial. A partir da encáustica, pigmentos minerais, materiais reaproveitados e tinta acrílica, suas obras articulam matéria e tempo em superfícies que evocam formações orgânicas, fósseis e paisagens abissais. O trabalho adota práticas de logística reversa por meio do reaproveitamento de tintas secas de potes e paletas, o que reduz resíduos e promove o uso responsável dos materiais no processo artístico.

 

Sua produção opera entre pintura, objeto, instalação site-specific e experimentação material, aproximando procedimentos alquímicos de discussões contemporâneas sobre ecologia, memória geológica e percepção sensorial. As obras constroem ambientes em mutação, nos quais erosão, transparência, combustão, acúmulo e reaproveitamento atuam como agentes formais e conceituais. Em suas instalações site-specific, o espaço expositivo é compreendido como organismo sensível, capaz de potencializar experiências imersivas ligadas à instabilidade ecológica e ao fluxo.

 

A pesquisa do artista parte da observação de sistemas naturais invisíveis, em transformação ou ameaçados, e propõe uma reflexão sobre fragilidade ambiental, ciclos de transformação e a relação da humanidade com a matéria e a percepção. A água surge como elemento estruturante da investigação e opera como matéria simbólica e também como agente fenomenológico capaz de alterar superfícies, temporalidades e experiências sensoriais. Nesse contexto, a encáustica assume papel central como técnica ancestral e como dispositivo de preservação e metamorfose.

 

Ao colocar em jogo permanência e desaparecimento, controle e acaso, Willian Santos desenvolve uma poética que aproxima alquimia, espiritualidade e imaginação material, com experiências visuais imersivas que dialogam com debates contemporâneos da arte e da ecologia.

 

Realizou as individuais Águas Compostas, na Zipper Galeria (São Paulo, 2025); Vésper, no Centro Cultural VERAS (Florianópolis, 2026); Recôndito Plasmado, na SIM Galeria (Curitiba, 2018); LIMIAR, na SIM Galeria (Curitiba, 2015); nem todo líquido se desmancha em ar, na Galeria Casa da Imagem (Curitiba, 2013); e Imanência, na Finnacena Escritório de Arte (Curitiba, 2012).

 

Participou de coletivas como Antes e agora, longe e aqui dentro, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2024); Objeto Sujeito, no Museu Paranaense (Curitiba, 2024); Queermuseu: Cartografias da diferença na arte brasileira, nas Cavalariças da EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 2018) e no Santander Cultural (Porto Alegre, 2017); Sou Patrono_Acervo, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2022); e Construções de Ilusão, na Bienal Internacional de Curitiba / SESC Paço da Liberdade (2013).

 

Foi finalista do 11º Prêmio DASARTES (2021) e indicado ao Prêmio PIPA em 2014 e 2019, além de receber o Prêmio do 19º Edital de Incentivo à Produção Chico Lisboa do MARGS (Porto Alegre, 2016). Foi residente do Infinitos Campos Gerais II / Campo das Artes (Balsa Nova, 2022) e do Encontro de Artistas Novos da Cidade da Cultura de Galicia no Centro Cultural de España en Montevideo (Atlántida, Uruguai, 2015).

 

Suas obras integram acervos do Museu de Arte do Rio (MAR), do Museu Paranaense (MUPA), do Museu Oscar Niemeyer (MON), do Museu de Arte de Joinville (MAJ) e do Instituto Collaço Paulo.