ArPa: estande E3

Mercado Livre Arena Pacaembu, 27 - 31 Maio 2026 
Apresentação
E3

Zipper Galeria apresenta: Margens & Miragens, um diálogo pictórico entre Willian Santos e Ian Salamente

 

Para a ARPA 2026, a Zipper Galeria apresenta Margens & Miragens, projeto especial que reúne pela primeira vez os artistas Willian Santos e Ian Salamente. A curadoria propõe um encontro de duas posições distintas dentro da pintura contemporânea: a observação visceral da cidade na produção de Salamente, e as composições de matéria que evocam paisagens imaginadas na de Santos.

 

O ponto de contato se estabelece na maneira como ambos elaboram a ideia de paisagem. Ian Salamente parte do território vivido, do bairro de periferia ao cotidiano afetivo dos centros urbanos. Willian Santos parte da matéria, construindo composições que tocam o mito e o simbólico. De um lado, a rua, as relações de vizinhança e as tensões afetivas da cidade alimentam cenas carregadas de presença humana. De outro, cera, pigmentos e fragmentos de obras anteriores articulam superfícies que evocam formações orgânicas e memória geológica.

 

Do bairro ao símbolo: a poética de Ian Salamente

Nascido em Cabo Frio (1997) e hoje vivendo entre Rio e São Paulo, Ian Salamente parte de imagens corriqueiras do cotidiano: familiares, vizinhos, ruas, toldos, camadas da cidade dão origem a narrativas que expõem contradições sociais e afetivas dos grandes centros. Sua pintura nasce de fotografias casuais, reorganizadas como colagem antes de chegarem ao óleo sobre tela. O sal aparece como elemento simbólico recorrente, referência direta à cidade natal do artista, cuja economia foi historicamente construída em torno desse material. Pequenos amontoados surgem em algumas pinturas, nomeados pelo artista como fruto do trabalho: signo da labuta coletiva e do que dela permanece como matéria. Na pesquisa recente, premiada no 16º Salão dos Artistas Sem Galeria, aparecem ícones como troféus, antenas improvisadas, camisetas de várzea, e cães marcados de vermelho em referência à iconografia de São Sebastião.

 

Da matéria ao mito: as paisagens de Willian Santos

Willian Santos (Curitiba, 1985) constrói mundos que emergem do acúmulo de gestos e resíduos do estúdio. Sua obra cruza pintura, fenomenologia da água e ecologia, recorrendo à encáustica como técnica central: a mistura de cera de abelha com pigmentos aquecidos solidifica em densidades quase geológicas, evocando fósseis e paisagens abissais. A prática se estrutura pela logística reversa, em que tintas secas de potes e paletas, fragmentos de trabalhos anteriores, são reaproveitados como ponto de partida. No lugar da tela em branco, vestígios e sobras carregam memória material. Erosão, transparência e combustão tornam-se agentes formais e conceituais de uma reflexão sobre fragilidade ambiental e ciclos de transformação.

 

Margens & Miragens

Ambos os artistas narram aquilo que escapa ao olhar: em Salamente, as bordas da cidade; em Santos, as bordas da matéria. O ponto de convergência é a pintura como dispositivo de sobrevivência e invenção do real. Os dois artistas expandem a pintura contemporânea ao mesmo tempo em que devolvem a ela sua força primária.

Obras
Vistas da Exposição