Laura Villarosa (Palermo, Itália, 1961) vive e trabalha em Niterói, Rio de Janeiro, desde os anos 1980. Sua pesquisa estabelece a paisagem como campo expandido, no qual a pintura e as técnicas têxteis operam em regime de equivalência. Fios, linhas, algodão, nylon, cerâmica fria, aquarela, acrílica e resina são alguns dos materiais recorrentes em uma produção que recusa a representação literal do natural para propor, em seu lugar, uma construção material da experiência sensível diante da terra.
A formação de Villarosa articula um longo percurso em pintura e cor com o aprendizado de práticas têxteis incorporadas ao trabalho autoral a partir de 2017, quando passou pelo programa Imersões Poéticas da Escola Sem Sítio, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, sob acompanhamento do artista Efrain Almeida. Desde então, a artista trata o processo como matéria constitutiva da obra, acumulando camadas de fios, tecidos e pigmentos sobre superfícies que adquirem espessura e volume. As composições flertam com a abstração e evocam atmosferas que oscilam entre serenidade e inquietação.
Em séries recentes, como Paisagem e Sensibilidade, Villarosa amplia o repertório de materiais, trabalhando sobre sedas oriundas de San Leucio, antiga colônia fundada no sul da Itália no século XVIII, reconhecida pela produção de tecidos para palácios e por seu projeto de sociedade igualitária. A artista também passou a usar cerâmica fria para modelar nuvens e diferentes texturas para compor suas paisagens imaginárias, ao mesmo tempo utópicas e distópicas. A artista costura a cerâmica ainda úmida, antes que o tempo e o calor a endureçam, e não se vê como ceramista: toma o material como extensão da tinta. Há, nos trabalhos, um interesse pela imaterialidade do ar, pelo volume das nuvens, pela densidade das montanhas e pelo reflexo instável das águas.
Villarosa realizou as individuais Lugar de passagem, na Zipper Galeria (2024); A ambígua linha sinuosa, na Zipper Galeria (2021); Na Voluta do horizonte, na Casa Brasil (Rio de Janeiro, 2025); A (des)ordem natural das coisas, na Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2025); Aurora, na Galeria Dotart (Belo Horizonte, 2023); Impermanências, no CEART UFF (Niterói, 2023); Impermanência, projeto solo para a Zona Maco (Cidade do México, 2023); Seiva, na C. Galeria (Rio de Janeiro, 2022, com curadoria de Catarina Duncan); Reinventando paisagens, na DotArt (Belo Horizonte, 2020); e Melancolia da paisagem, na Galeria Sem Título (Fortaleza, 2019). Participou de coletivas como Paralelas, na Casa Ondina (São Paulo, 2025); Fios, entre poéticas e tramas, na Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2024); No tempo da pintura, na Galeria Belizário (São Paulo, 2024); Rios e seus afluentes, na C.Galeria para a ArtRio (Rio de Janeiro, 2023); Paisagem passagem, na Fundação Mokiti Okada (São Paulo, 2021); o 12º Salão dos Artistas sem Galeria, na Zipper Galeria (São Paulo, 2021); e Coradjetiva, na BADESC (Florianópolis, 2014).

