Nina Pandolfo (Tupã, SP, Brasil, 1977) vive e trabalha em São Paulo, para onde se mudou ainda criança. Pertence à geração de artistas brasileiros que, ao longo dos anos 1990, construiu sua linguagem a partir do graffiti e, na década seguinte, alcançou reconhecimento institucional em galerias e museus ao redor do mundo. A artista começou a pintar muros na adolescência, em um circuito então marcadamente masculino. Suas figuras femininas de olhos grandes, que já apareciam em pequenas telas antes de ocupar empenas, tornaram-se a marca mais singular de sua produção.
O imaginário de Pandolfo se organiza em torno de personagens joviais, de olhar expressivo, imersas em cenários saturados de cor. Cabeças e olhos agigantados, bocas pequenas e linhas finas marcam suas figuras.
Ao longo das últimas três décadas, esse repertório incorporou gatos, abelhas, pássaros e outros seres que ampliam a fauna simbólica de suas composições. A aparência lúdica das imagens não se esgota na superfície decorativa: a artista pinta para adultos, buscando alcançar a dimensão infantil que persiste em cada espectador, independentemente de esse contato ser confortável ou incômodo. Há, portanto, uma operação deliberada de deslocamento: a suavidade do traço funciona como via de acesso a estados emocionais mais complexos, ligados à vulnerabilidade e à memória afetiva.
Pandolfo realizou a individual Suplementos na Zipper Galeria (São Paulo, 2023). Apresentou Portais no Farol Santander (São Paulo, 2026); Morada, no Shopping Pátio Higienópolis (São Paulo, 2025); Gratitude, no Heydar Aliyev Center (Baku, Azerbaijão, 2021) e na JD Malat Gallery (Londres, 2019); Beyond Meninas, na Lazarides (Londres, 2016); Little Things for Life, no Coburn Project (Nova York, 2015); a individual no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo / MAC USP (2014); Serendipidade, na Galeria Leme (São Paulo, 2013); Feelings, na Lazarides (Londres, 2012) e nos Outsiders Lazarides (Newcastle, 2013); Life's Flavor, na Carmichael Gallery (Los Angeles, 2010); Desafiando Sonhos, na Galeria Leme (São Paulo, 2010); Between Us, na Gallery Maskara (Mumbai, 2008); Aos Nossos Olhos, na Galeria Leme (São Paulo, 2008); e Jujuba & Lollipop, na ICBRA Gallery (Berlim, 2003).
Integra desde 2024 a exposição itinerante Mama - Mother Nature, que circulou pelo Heydar Aliyev Center (Baku, 2024), Bahrain National Museum (Manama), Museo MAXXI (Roma), Museu de Arte Moderna de Tsereteli (Tbilisi) e Berlim (2025), com previsão de chegar ao COD em Tirana (Albânia, 2026). Participou da 9ª Bienal de Havana (2006), de Still Here: A Decade of Lazarides (Londres, 2016) e de coletivas em Düsseldorf, San Juan, Örebro, Los Angeles e Berlim.
Em 2007, integrou o time de artistas brasileiros que pintou a fachada do Castelo Kelburn, em Glasgow (Escócia), ao lado de OsGemeos e Nunca, intervenção prevista como temporária e que se tornou cartão postal da região. Outros projetos relevantes incluem o The Wynwood Walls (Deitch Projects x Goldman Properties, Miami, 2009), a Painter's Toile para a FENDI Baguette (2013) e os murais para Chromopolis nas Olimpíadas de Atenas (2004).
Publicou os livros Nina (Master Books, 2011) e Por Trás das Cores (Master Books, 2016). Integra publicações de referência sobre street art como Graffiti World (Thames & Hudson, 2004), Graffiti Brasil (Thames & Hudson, 2005), Street Art (Tate Publishing, 2008) e Graffiti and Street Art (Thames & Hudson, 2011), e participou dos documentários Cidade Cinza (2013) e Street Heroines (2021), e da série Cada Voz, do Itaú Cultural (2020).

