Giovani Caramello Santo André-SP, 1990

Giovani Caramello (Santo André, SP, Brasil, 1990) é escultor com pesquisa dedicada ao hiper-realismo figurativo. Seu processo articula procedimentos digitais e manuais: parte do desenho (inspirado em imagens da internet ou em pessoas de seu convívio), escaneia a imagem e leva-a para o software de modelagem 3D, onde adiciona detalhes. Em seguida, imprime as peças em filamento em tamanho real e aplica camadas de plastilina sobre essa base para construir texturas e detalhes anatômicos. Só então realiza o molde e as tiragens em resina ou outros materiais, seguidas de pintura manual peça a peça.

 

Embora seu vocabulário formal dialogue com a tradição do hiper-realismo, Caramello evita a ilusão completa. Suas figuras têm proporções que se afastam do corpo natural, as escalas variam do muito reduzido ao monumental, e o acabamento em resina policromada confere uma qualidade próxima da ilustração tridimensional. Esse deslocamento impede deter-se apenas na virtuose da execução e convida a olhar para o que as figuras comunicam por meio da postura e, sobretudo, da expressão facial, chave narrativa de suas composições, já que o artista não contextualiza seus personagens com cenários ou diálogos com outras figuras. O tema central de sua pesquisa poética é a impermanência: a efemeridade do tempo vivido, a solidão como experiência partilhada, a fragilidade da condição humana diante da passagem dos anos.

 

Realizou as individuais Introspeccion, na Casa do Olhar Luiz Sacilotto (Santo André, SP, 2016); Meditation on Impermanence, na OMA Gallery (São Bernardo do Campo, SP, 2016); e Impermanence, no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa (Santo André, SP, 2014). Participou da coletiva 50 anos de Realismo: do fotorrealismo à Realidade Virtual, em itinerância pelo CCBB de São Paulo (2018), Brasília (2019) e Rio de Janeiro (2019), ao lado de nomes como John DeAndrea e Peter Land. Integrou ainda Burgos 3, no Complexo Cultural Funarte SP (São Paulo, 2017) e Marina Monumental / Arte na Marina da Glória (Rio de Janeiro, 2016). Foi residente do 14h international Werkstattwoche Luben (Luben, Alemanha, 2017).

 

Suas obras integram acervos institucionais como o Museu de Arte do Rio (MAR) e a Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André, além de coleções privadas em Berlim, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Bahia.