Marco Tulio Resende Minas Gerais, b. 1950

Marco Tulio Resende (Belo Horizonte, MG, Brasil, 1950) construiu, ao longo de mais de cinco décadas, uma obra dedicada à investigação da memória, da matéria e da condição humana. Estudou Artes Plásticas na Escola Guignard de Belo Horizonte (1971-1974) e é mestre pela School of the Art Institute of Chicago. Em 1979, retornou à Escola Guignard como docente, profissão que exerceu por 37 anos.

 

A produção de Resende articula pintura, escultura, desenho, gravura e instalação. O artista produz suas próprias tintas a partir de pigmentos naturais e elabora uma paleta concentrada em tons terrosos, com presença de brancos, pretos e azuis. A terra, com suas cores e texturas, funciona como elemento central da pesquisa e sustenta reflexões sobre identidade, tempo e ancestralidade. 

 

A paisagem mineira e os deslocamentos culturais comparecem como referências recorrentes em sua produção. Os vestígios da experiência cotidiana e os processos de construção simbólica do mundo orientam igualmente a pesquisa. Resende é descrito como um "escriba visual" que documenta memórias e experiências em uma escrita fluida e enigmática. Seu trabalho aborda o ciclo da vida e da morte por meio de uma atmosfera monocromática carregada de materialidade orgânica.

 

Em séries como Recortes (2004), o artista usa tintas produzidas a partir de terras de tonalidades distintas, em processo sustentável que combina solo, água, cola e pigmentos. O resultado é uma paleta de variações terrosas, dos vermelhos e amarelos ricos em óxido de ferro aos tons escuros obtidos por misturas orgânicas. Em Ex-Votos (1997), o termo do latim ex-voto suscepto ("pela promessa realizada") é reconfigurado em peças de madeira pintadas que evocam a devoção religiosa popular. Em Ecce Homo (2013), Resende emprega a técnica do barreado, diluição de solo argiloso em água, em cerâmicas queimadas no forno Noborigama. As peças seguem o processo Bizen, técnica milenar japonesa em que a queima dura quatro dias sem esmalte e gera padrões vinculados à trajetória do fogo.

 

Ainda jovem, Resende participou da XII Bienal Internacional de São Paulo (1973), marco inicial de uma trajetória que o levou ao Panorama da Pintura Brasileira do MAM-SP (1986), ao projeto-residência Faxinal das Artes (Paraná, 2003) e à mostra Brésil, l'Héritage Africain, no Musée Dapper (Paris, 2005). Participou ainda de Quando Atitudes se Tornam Escola e A Paixão Segundo Guignard, ambas no Palácio das Artes (Belo Horizonte, 2024); do Projeto Parede | MAM 70 Anos (MAM-SP, 2018); de Compressores e Condensadores (MAM-SP, 2003); de Diálogos: Tangenciando Amílcar de Castro (Santander Cultural, Porto Alegre, 2002); de Terra e Mar à Vista e Projeto BR/80 (Itaú Cultural, São Paulo, 1998 e 1991); e de Estandartes da Liberdade (França, 1989).

 

Realizou a individual Tantos Museus Dentro da Gente na Zipper Galeria (São Paulo, 2025). Entre suas individuais destacam-se ainda Ecce Homo, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (Belo Horizonte, 2026); Olho Nu, no Centro Cultural UFMG (Belo Horizonte, 2019); Sobre o Que se Desenha, no Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte, 2017); Axis, no Palácio das Artes (Belo Horizonte, 2016); Útero do Mundo, no MAM-SP (2016); Códice / Do Risco ao Risco, no Museu Vale (Vila Velha, 2015); Ecce Homo, na Fundação de Arte de Ouro Preto (2010); Axis Mundi, no MAC USP (1998).

 

Sua obra integra coleções institucionais como Museu de Arte da Pampulha, MAC USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM-SP, MASP, MAM Rio, MNBA, MAM Bahia e MARGS, além de acervos como Fundação Clóvis Salgado, FUNARTE, IBM do Brasil, BDMG, Aeroporto Internacional Tancredo Neves, Rede Globo Minas e Centro Cultural Cândido Mendes. No colecionismo privado, sua produção está representada em coleções de referência como Gilberto Chateaubriand e João Sattamini, além de coleções particulares no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.

 

Resende também atua como docente convidado em universidades como UFMG, UFOP, Universidade do Espírito Santo e Sheffield Hallam University, na Inglaterra.