Mega Hair: Romy Pocztaruck

16 Maio - 13 Junho 2026

A individual Mega Hair de Romy Pocztaruk integra o Zip'Up, programa que ocupa a sala superior da Zipper Galeria, reúne esculturas feitas de concreto e fibra sintética, material industrial usado em apliques capilares. A montagem emprega técnicas de trama próprias dos salões de beleza: mechas longas envolvem blocos de concreto, pendem da parede até o chão e, em algumas peças, tranças espessas operam como elemento estrutural, sustentando blocos empilhados.

 

Ao longo de quase duas décadas, Pocztaruk construiu uma obra dedicada aos vestígios de projetos que falharam. Suas fotografias documentaram o que restou de Fordlândia, cidade que Henry Ford ergueu na Amazônia nos anos 1920. A instalação Bombrasil (2017) reconstituiu a memória do programa nuclear secreto da ditadura militar brasileira. Em entrevista no início de sua carreira, a artista descreveu seu interesse pela ruína: "Me fascina o significado que elas têm para as cidades, acho que é uma forma interessante de olhar para o passado e projetar o futuro e, ao mesmo tempo, reviver sentimentos e acontecimentos."

 

Em Mega Hair, a investigação sobre a ruína desloca-se da imagem fotográfica para a materialidade do objeto escultórico. Pocztaruk não fotografa mais ruínas encontradas. Fabrica as suas. Os blocos de concreto são moldados por ela, já concebidos como fragmento. A fibra artificial que os recobre instala-se sobre a estrutura e impõe sua própria lógica: o cabelo pesa, cede à gravidade, espraia-se pelo piso. O concreto, em certas peças, depende da trança para se manter de pé. As funções se invertem. O que deveria ser cosmético assume a função estrutural; o que deveria ser estrutural revela vulnerabilidade.

 

O título nomeia com exatidão o que se vê. "Mega hair" é o termo popular para o procedimento de alongamento capilar com fibra aplicada por trama. Pocztaruk usa o mesmo material e a mesma técnica, mas substitui a cabeça humana por blocos de concreto. O corpo permanece ausente, como nas fotografias, presente apenas no indício de um gesto que lhe pertence: o ato de trançar e aplicar.

 

No texto crítico que acompanha a exposição, Renato Rezende observa que as esculturas de Mega Hair propõem "um ponto de incidência e demonstração". Os blocos de concreto ganham a leveza da fibra capilar, que não é natural e não precisa ser. Matéria orgânica e inorgânica deixam de se opor. Para Rezende, "a cultura não seria apenas uma segunda natureza, seria a única natureza possível para a pessoa contemporânea".

 

Zip’Up é um projeto da Zipper Galeria criado em 2011 — um ano após a abertura da casa — dedicado a novos artistas e curadorias experimentais, com ênfase em processos autorais, proposições de risco e debate crítico. Em formato contínuo, o programa recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos que ocupam a sala superior da galeria, ampliando o diálogo entre práticas emergentes e o público especializado.