Celina Portella (Rio de Janeiro, Brasil, 1977) vive e trabalha em São Paulo. Formada em Artes Plásticas pela Université Paris VIII (Saint-Denis) e em Design e Comunicação Visual pela PUC-Rio, e com mestrado em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP, a artista articula em sua pesquisa fotografia, vídeo, foto-objetos, escultura e performance.
Entre 2002 e 2008, Portella atuou como intérprete-criadora na Lia Rodrigues Companhia de Danças, formação que se reflete em uma poética cuja matéria-prima é o próprio corpo. A pesquisa concentra-se nos campos da representação do corpo e de sua relação com o espaço, combinando práticas em obras que articulam vídeo, fotografia e dispositivos escultóricos. Seus foto-objetos colocam em questão as características de cada suporte e a percepção do observador: a artista intervém na superfície fotográfica com recortes, dobras, cordas e moldes corporais, expandindo a imagem para o espaço físico.
Uma particularidade do trabalho de Portella é a recusa de um corpo identificável. Em diversas obras, oculta o rosto e dissolve marcas autobiográficas para abrir espaço a um corpo-sem-identidade, capaz de representar muitos outros. Em vez de afirmar uma individualidade fixa, opera uma multiplicação do eu, operação que dialoga com a tradição do autorretrato sem reduzir-se a ela.
Indicada ao Prêmio PIPA em 2013 e 2017, foi premiada na XX Bienal Internacional de Artes Visuais de Santa Cruz (Bolívia, 2016), no Salón ACME / Residência Casa Wabi (México, 2020), no Luxemburg Art Prize (2021) e no II Concurso de Videoarte da FUNDAJ (Recife, 2008). Realizou residências no Centre International d'Accueil et d'Échanges des Récollets (Paris, 2009), no Bag Factory Artists' Studios (Joanesburgo, 2018) e na Casa Wabi (Oaxaca, 2020). Realizou as individuais Uma, nenhuma e cem mil (Zipper Galeria, 2025, com curadoria de Ginevra Bria), Manobras (Zipper Galeria, 2020-21), Subtrações (Zipper Galeria, 2018), Reunião (Caixa Cultural São Paulo, 2019), Foto objetos (Museu Casa Sônia Menna Barreto, 2018), Movimento² (Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, 2014), Vídeo-Boleba (Centro Cultural São Paulo, 2012) e Celina Portella: Instalações (Sesc Pinheiros, 2011). Participou de coletivas como Histórias da Dança (MASP, 2020), TRIO Bienal (CCBB Rio de Janeiro, 2015), XX Bienal Internacional de Artes Visuais de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia, 2016), Frestas Trienal de Artes (Sesc Sorocaba, 2017) e Strip Film Festival (Ménagerie de Verre, Paris, 2007).

