André Feliciano São Paulo, Brasil, 1984

André Feliciano (São Paulo, Brasil, 1984) vive e trabalha entre São Paulo e Nova York. É bacharel em Artes Plásticas (2007) e licenciado em Educação Artística (2010), ambos pela FAAP, e mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (2014). Desde os anos 2000, desenvolve uma pesquisa visual que toma a câmera fotográfica como ícone central, manipulado em pequenos formatos e materialidades variadas. Sua produção articula fotografia, escultura, instalação e desenho, com forte caráter lúdico e cromático.

 

Filho de fotógrafo e arteterapeuta, Feliciano partiu, no início da carreira, dos fotogramas coloridos: impressões químicas no filme cinematográfico, registradas com luz direta ou com a luz de vagalumes. Em seguida incorporou o desenho à pesquisa, antes de levar suas figurações para o campo tridimensional. Os trabalhos mais conhecidos do artista relacionam botânica e câmera fotográfica: ele parte de elementos vivos como árvores, plantas e flores para eternizá-los em fundição de bronze, e devolve o florescimento ao reino vegetal por meio de pequenas câmeras-flor feitas em resina, que não registram imagens nem operam qualquer julgamento avaliativo. Essas "flores-câmeras" parecem observar o espectador, devolvendo o olhar com suas lentes.

 

Em seu repertório técnico, Feliciano combina métodos centenários com procedimentos contemporâneos. Recorre à impressão salgada, uma das primeiras formas de impressão da história fotográfica, criada por William Henry Fox Talbot por volta de 1839, e aplica banhos de platinum em suas imagens. Trabalha com viragem, técnica do final do século XIX que altera tonalidades de fotografias em preto e branco, e utiliza a coloração manual com tinta a óleo, prática que existe desde a invenção do daguerreótipo. Em processo recente, escaneia o filme de uma câmera de fole idealizada nas proporções áureas para produzir grandes negativos, que serão transferidos para a tela. O artista trata a imagem fotográfica como algo que precisa ser semeado e nutrido para florescer, deslocando a fotografia para o tempo da natureza, associada aos ciclos de germinação.

 

Feliciano realizou três individuais na Zipper Galeria: O Ateliê Fotográfico de André Feliciano (2024), Ecologia Fotográfica (2021) e Sob o luar fotográfico (2012). Apresentou também Fotografe para ver, no Farol Santander (São Paulo, 2022); Cultivando a Filosofia da Fotografia, no SESC Carmo (São Paulo, 2015) e A natureza fotográfica da arte, na Galeria Superfície (São Paulo, 2014).

 

Participou de coletivas como Floraissance Vivarium, no Graz Museum (Áustria, 2024); ArTeMs / Jardim Fotográfico, no Santander Cultural (São Paulo, 2021); Photographic Greenhouse, no Annenberg Space for Photography (Los Angeles, 2019); e quatro edições do Photoville no Brooklyn Bridge Park (Nova York, 2012, 2013, 2016 e 2018); PANDORA, na Estación Espacial (San Juan, Porto Rico, 2016); Abre Alas, na Galeria A Gentil Carioca (Rio de Janeiro, 2015); Sprouted, na Bosi Contemporary (Nova York, 2013); Projecto MULTIPLO, no MoMA PS1 Art Book Fair (Nova York, 2012); Festival de Arte e Gastronomia, no MAM-SP (2012); Small Photographic Garden, na Bonni Benrubi Gallery (Nova York, 2011); Ecológica, no MAM-SP (2010); Prêmio Energias na Arte, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2009); Projeto Tripé, no SESC Pompeia (São Paulo, 2009); Verbo, na Galeria Vermelho (São Paulo, 2007); e Nós, no Museu da Arte Brasileira FAAP (São Paulo, 2007, itinerante).

 

Recebeu o prêmio Mostras de Artistas no Exterior, da Fundação Bienal de São Paulo (2010). Foi residente do Tokyo Photo Festival (Japão, 2025), do Red Bull Station (São Paulo, 2014) e do Social Summer Camp Vila Alegre / Residência Forense (Chile, 2014). É autor de quatro livros publicados sob o conceito Florescentista: Cultura Florescentista (organização, 2010), Educação Florescentista (2009), Arte Florescentista (Editora Altana, 2008) e Dois amantes que se amam mas não se mexem / Literatura Florescentista (Editora Altana, 2008).