Flávia Junqueira São Paulo, Brasil, 1985

Flávia Junqueira (São Paulo, Brasil, 1985) vive e trabalha em São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas e pós-graduada em Fotografia pela Fundação Armando Álvares Penteado, é mestre em Poéticas Visuais pela ECA-USP e doutora pelo Instituto de Artes da UNICAMP.

 

A artista tem o universo visual da infância e a construção de um imaginário sobre este período da vida como inspiração e ponto de partida das suas criações, nas quais cenas do real e fictício, o físico e o alegórico, o presente e o passado, o adulto e a criança se unem e se conectam. A artista usa da fotografia e da cenografia em espaços arquitetônicos ou abertos, para criar atmosferas de ilusionismo e arrebatamento.

 

A técnica de fotografia encenada, que Flávia Junqueira explora, permite-lhe planejar imagens, onde todos os elementos são cuidadosamente escolhidos e organizados para expressar conceitos preconcebidos. Sua seleção de locais, principalmente teatros históricos e outros espaços culturalmente relevantes, serve como pano de fundo para suas intervenções artísticas, reafirmando a relevância desses lugares muitas vezes negligenciados. Sua pesquisa inclui a catalogação de teatros históricos iniciada por volta de 2022, com fotografias em locais como o Real Gabinete Português de Leitura, o Palacio de Santoña, o Château de Fontainebleau, o Palácio de Linares, o Theatro Pedro II em Ribeirão Preto, o Teatro Colón em Bogotá, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e as Ruínas do Convento de São Boaventura, em Itaboraí.

 

O contraste poético de temporalidades é uma característica marcante em suas obras, onde patrimônios clássicos coexistem com balões, evocando a magia da infância em cenários historicamente ricos. Flávia Junqueira revela que seu objetivo é resgatar espaços esquecidos, conferindo-lhes nova vida e narrativa, enquanto desconstrói as expectativas convencionais. Sua obra, embora não tenha como foco principal a infância, revela uma busca por explorar realidades atípicas e elementos lúdicos como estratégias para lidar com temas complexos, como a morte e os traumas.

 

Os trabalhos da artista estão presentes em prestigiados acervos como o MAR-RJ, MAM-SP, MIS-SP, MAB-FAAP, Museu do Itamaraty, World Bank, Instituto Figueiredo Ferraz, Coleção Banco Santander, Coleção Farol Santander, Museu de Atibaia e Coleção Sérgio Carvalho. 

 

Seu nome é evidenciado por sua participação em projetos e exposições de destaque, tais como Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile no Palais de Tokyo (Paris, 2014), The World Bank Art Program no Kaunas Photo Festival (2010), Tomorrow I will be born again na Cité Dês Arts (2011) e Subjetivo Feminino: una Mirada Latino Americana, do projeto Photo España, no Instituto Cervantes São Paulo (2009), além de Projeto para finais felizes na Temporada de Projetos do Paço das Artes (São Paulo, 2013), agraciado com o Prêmio Energias na Arte do Instituto Tomie Ohtake em 2009. Outras contribuições notáveis incluem Gorlovka no Programa Itinerâncias Nova Fotografia (2015) e Tentativas e Apostas – Notas de um Processo na exposição Red Bull House of Art- Residência Artística São Paulo-SP (2010).

 

Nos últimos anos, realizou uma série de exposições individuais e instalações imersivas que expandem essa pesquisa, entre elas Flávia Junqueira no Baile, na Sala Ali – Casa Bradesco (São Paulo, 2025); a instalação imersiva no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, 2025); Alegoría, na Sorondo Projects em parceria com a Reiners Contemporary (Barcelona, 2025); Extasia, no Centro Cultural FIESP (São Paulo, 2024); o projeto ao ar livre da Banca Galeria no Parque Ibirapuera (São Paulo, 2024); The Absurd and the Grace, na Gilman Contemporary (Sun Valley, Idaho, Estados Unidos, 2024); Symphony of Illusions, na Galeria Voss (Düsseldorf, 2023); Revoada #3, no Pátio Higienópolis (São Paulo, 2022); e as mostras Revoada no Farol Santander Porto Alegre e no Farol Santander São Paulo (2021). Também integra esse percurso Party Cloud, na Izolyatsia (Donetsk, Ucrânia, 2012). Na Zipper Galeria, onde já realizou cinco exposições individuais, destacam-se Rêverie (São Paulo, 2024), Igrejas barrocas e cavalinhos de pau (São Paulo, 2021), O Absurdo e a Graça (2019) e Quando os monstros envelhecem (2016), que aprofundam sua investigação sobre memória, teatralidade e encantamento no espaço expositivo.