Janaina Mello Landini São Gotardo - MG, Brasil, 1974

Janaina Mello Landini (São Gotardo, MG, Brasil, 1974) vive e trabalha em São Paulo. Arquiteta de formação pela UFMG, com posterior estudo em Belas Artes na mesma instituição, articula em sua pesquisa conhecimentos da arquitetura, da física e da matemática. Sua produção, com ampla circulação internacional, abrange obras de escala íntima e instalações imersivas de grande porte.

 

Em 2010, Landini cunhou o neologismo "ciclotrama" para nomear a pesquisa central que desenvolve desde então. Nessa investigação, a artista aproxima matemática estrutural e filosofia para pensar como a unidade se vincula ao conjunto em sistemas de rede. A partir do fio, suas Ciclotramas constituem tramas cíclicas orientadas por algoritmos que incorporam as variações físicas da matéria, em diálogo com a geometria fractal. Esse sistema se molda a partir de forças como o peso, a torção, a tração e o tempo, de modo que pequenas variações e irregularidades passam a constituir a obra, que passa então a representar o fragmento de um processo contínuo e infinito.

 

Outro destaque no corpo de trabalho da artista é a série Labirinto, composta por obras que articulam múltiplos pontos de vista a partir do deslocamento da geometria clássica para uma perspectiva descentralizada. O cetim, material recorrente na série, reflete a luz conforme a posição do olhar do espectador, em uma experiência visual de imersão contínua pelo espaço construído.

 

Na obra de Landini, cordas que se desmembram em filamentos mínimos, fios que ocupam paredes inteiras e tramas que se expandem do plano ao volume operam como dispositivos pelos quais a artista investiga a relação entre matéria, gesto e tempo. Performances colaborativas e instalações imersivas pontuam ainda a trajetória e ampliam a dimensão participativa de sua produção.

 

Janaina realizou seis individuais na Zipper Galeria, entre elas Acorda (2026, com curadoria de Marcello Dantas, em que pela primeira vez incorpora ao vocabulário elementos como galhos, pedras, sal, carvão, musgos, fungos e potássio), Bosque Neural (2024), Espaço Preso (2022), Aqui, agora (2019), Labirinto Sintrópico (2016) e Ciclotrama 20 (onda) (2015). Realizou também as individuais internacionais Amulet, no Ilulissat Kunstmuseum (Groenlândia, 2024); Ciclotrama, na Akerk (Groningen, Holanda, 2024); Immanence, na Galerie Virginie Louvet (Paris, 2022); e Agglomerati, na Galeria Macca (Cagliari, Itália, 2017).

 

Em 2026, integra a retrospectiva Iris van Herpen: Sculpting the Senses, no Brooklyn Museum (Nova York), exposição itinerante que passou ainda por MAD Paris (2023), QAGOMA Brisbane (2024), ArtScience Singapura e Kunsthal Rotterdam (2025). No mesmo ano, sua obra Ciclotrama 156 (Palindrome) foi escolhida pelo músico Peter Gabriel para ilustrar "Been Undone", primeiro lançamento do projeto o\i, colocando-a ao lado de artistas como Ai Weiwei e Olafur Eliasson. Participou da 13ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2022), da Bienal Têxtil Rijswijk (Holanda, 2017) e de mostras no Palais de Tokyo (Paris, 2016), no Domaine de Chaumont-sur-Loire (França, 2019) e na Fondation Carmignac (Ilha de Porquerolles, 2018).

 

Suas obras integram coleções como Fondation Thalie (França), Foundation Carmignac (França), BIC Collection (França), MAR (Rio de Janeiro), Facebook (Menlo Park), MAD Paris (Coleção Nacional Francesa), FAMA Museu (Itu) e The Graeme and Mabie Briggs Collection of Latin American Art (Austrália).