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O pontilhismo na arte e no bordado
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Madonna e o surrealismo de Leonora Carrington
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Tecido esculpido em mármore
O legado de Tom of Finland

Luke Evans, conhecido por papeis em O Hobbit e A Bela e Fera, desfilou um traje de couro assinado por Alejandro Gómez Palomo, acompanhado de um chapéu criado pelo espanhol Vivas Carrión. A inspiração se deu nas criações de Tom of Finland, artista finlandês cuja produção, desde a década de 1950, construiu uma iconografia erótica e altamente masculinizada, que influenciou a cultura da comunidade gay do final do século XX. Corpos exageradamente viris, uniformes justos, couro, botas e bonés militares eram marcas inconfundíveis de suas produções, provando que a moda era um pilar estruturante de sua obra. Mais recentemente, marcas como JW Anderson e Diesel lançaram coleções colaborativas oficiais que estampam as obras originais em peças de prêt-à-porter.
O pontilhismo na arte e no bordado

O cantor e ator Ben Platt vestiu um terno sob medida da Tanner Fletcher, adornado com cenas de “Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte” (1884), de Georges Seurat. A peça poderia ser um exemplo de “retrato do retrato”, como citado anteriormente, se não fosse por uma releitura técnica. De forma intencional ou não, a marca fez seu próprio pontilhismo – técnica da qual Seurat foi pioneiro – por meio de bordados com miçangas costuradas ponto a ponto.

Mas vale dizer que o efeito visual resultante é bastante distante do que o pintor estabeleceu. Na pintura, o artista justapõe cores puras lado a lado, de modo que a mistura acontece na retina do observador, sobretudo à distância. Já no terno, as figuras aparecem mais definidas, e cada material (linha ou miçanga) carrega em si a cor final, sem depender desse processo óptico.
Madonna e o surrealismo de Leonora Carrington

Madonna desfilou um look gótico assinado pela Saint Laurent que fazia referência a um detalhe de “A Tentação de Santo Antônio” (1945), da grande surrealista Leonora Carrington, cuja obra evocava mundos oníricos repletos de bruxas, híbridos e cenas ritualísticas.

A obra em questão tem uma história de origem curiosa: foi produzida para um concurso organizado pelo cineasta Albert Lewin, que buscava uma imagem para integrar o filme The Private Affairs of Bel Ami. Os artistas convidados deveriam reinterpretar o tema clássico da tentação de Santo Antônio, bastante explorado na história da arte e da literatura. Em representações célebres de diferentes tempos, como a de Hieronymus Bosch, a cena é povoada por demônios grotescos e ataques explícitos ao corpo do santo. Na pintura de Carrington, por outro lado, o “santo” masculino aparece em posição passiva, enquanto as figuras femininas ao redor são as que conduzem rituais e operam transformações. Apesar de sua originalidade, a versão da surrealista não tinha chances de vencer, já que o júri buscava imagens mais dramáticas e aterrorizantes para o filme.
É importante destacar que as pinturas de Carrington, em geral, não se concentram em uma única figura, mas em um elenco inteiro de personagens, e produção de Madonna parece ter compreendido isso, afinal seu look não estaria completo sem a cantora estar acompanhada por uma pequena procissão de mulheres que erguiam sua capa violeta transparente.
Tecido esculpido em mármore

Poucos se entregam a um tema como Heidi Klum, e desta vez não foi diferente. A atriz e apresentadora compareceu ao MET não apenas vestindo um look com referência a uma obra de arte, mas completamente caracterizada, da cabeça aos pés, como a “Virgem Velada” (déc. 1850) do italiano Giovanni Strazza.

No busto original, a representação da Virgem Maria é coberta por um véu de tal transparência que a transição entre o que é “tecido” e o que é “pele” é quase imperceptível e faz o espectador esquecer a densidade do mármore. No caso do visual assinado por Mike Marino o processo é inverso, afinal os materiais maleáveis como tecido e látex é que precisaram de manuseio para simular a dureza e da escultura.

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