A escultura Cabeça Alada (2015), de Marco Tulio Resende, artista representado pela Zipper Galeria, foi incorporada ao acervo permanente do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, por meio do Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros. A obra passa a integrar uma das mais importantes coleções públicas de Minas Gerais e vai a público a partir de 10 de outubro de 2026.
A aquisição reúne, ao lado de Cabeça Alada, a fotografia Retrato de Dona Florinda, de Vik Muniz, e fragmentos de ornamentos barrocos atribuídos a Mestre Valentim da Fonseca e Silva (c. 1745–1813) e a Francisco Vieira Servas (1720–1811). O conjunto coloca a produção contemporânea em diálogo com a tradição artística mineira, de modo que a memória barroca e a arte do presente se iluminam mutuamente no mesmo acervo.
Para Marco Tulio Resende, artista mineiro com mais de cinco décadas de trajetória, a entrada de Cabeça Alada no Museu da Inconfidência representa uma aproximação significativa com a história e a memória artística de seu estado. A incorporação amplia ainda a presença de sua produção em instituições dedicadas à preservação da memória cultural brasileira.
Realizado com patrocínio da Caixa Residencial, o projeto é conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Promoção à Arte e Cultura (IPAC), em parceria com o Ministério da Cultura, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e o próprio Museu da Inconfidência. A iniciativa fortalece as políticas públicas de formação de acervos e amplia o acesso da sociedade ao patrimônio artístico, reafirmando os museus públicos como espaços de memória e de pesquisa.

Marco Tulio Resende - Série Ecce Homo, 2015/2018 - Argila, terras e pigmentos - 58 x 64 x 200 cm
Marco Tulio Resende (Belo Horizonte, MG, 1950) construiu, ao longo de mais de cinco décadas, uma obra dedicada à investigação da memória e da matéria. Estudou na Escola Guignard de Belo Horizonte (1971–1974) e concluiu o mestrado na School of the Art Institute of Chicago. Em 1979, retornou à Guignard como docente, atividade que exerceu por 37 anos.
Sua prática reúne a pintura e a escultura, estendendo-se ao desenho e à gravura. O artista produz as próprias tintas a partir de pigmentos naturais e trabalha com uma paleta concentrada em tons terrosos. A terra, com suas cores e texturas, funciona como elemento central de sua pesquisa e sustenta reflexões sobre identidade e ancestralidade. Descrito como um "escriba visual", Resende documenta memórias e experiências em uma escrita fluida e enigmática, que aborda o ciclo da vida por meio de uma atmosfera densa e orgânica.
Séries como Ex-Votos (1997) e Ecce Homo (2013) evidenciam seu vínculo com a materialidade e com técnicas de longa duração, do uso de solos de tonalidades distintas à queima cerâmica pelo processo japonês Bizen.
Marco Tulio Resende - Ecce Homo, 2016 - Tinta acrílica e carvão sobre lona - 200 x 400 cm
Ainda jovem, Resende participou da XII Bienal Internacional de São Paulo (1973), marco inicial de um percurso que passou pelo Panorama da Pintura Brasileira do MAM-SP (1986) e pela mostra Brésil, l'Héritage Africain, no Musée Dapper, em Paris (2005). Mais recentemente, integrou A Paixão Segundo Guignard, no Palácio das Artes (Belo Horizonte, 2024), entre outras exposições de relevância.
Sua obra está presente em acervos institucionais de referência, entre eles o MASP e o MAM-SP. A produção também figura em coleções privadas de destaque, como a de Gilberto Chateaubriand e a de João Sattamini.
Representado pela Zipper Galeria, Marco Tulio Resende realizou no espaço a individual Tantos Museus Dentro da Gente (São Paulo, 2025), que aprofundou sua investigação sobre memória e materialidade. A incorporação de Cabeça Alada ao Museu da Inconfidência dá continuidade a esse percurso e reforça o reconhecimento institucional de uma das trajetórias mais consistentes da arte mineira contemporânea.


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