Em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no 3º andar da Casa de Cultura Mario Quintana, a exposição individual “Dinâmica do equilíbrio”, de Consuelo Veszaro, apresenta um conjunto de trabalhos que condensa a pesquisa da artista à respeito das possibilidades do desenho. Com curadoria de Ana Avelar, a mostra exibe obras recentes, feitas entre 2025 e 2026, que depuram essa linguagem entre diferentes materiais, como fios de seda, óleo, cobre e latão, tendo como fio condutor a linha em seu estado mais elementar.
Conheça, a seguir, um pouco mais sobre os pilares fundamentais que sustentam essa investigação poética.
Conteúdo do artigo:
O desenho traçado
Os desenhos de Consuelo Veszaro não são instrumentos de representação e nem mesmo buscam abstrair uma ideia figurada. Nos trabalhos da série “Derivações do equilíbrio” (2025), realizadas em óleo sobre tela, fica claro como o traçado é autônomo e se dá no processo de organização espacial sobre o suporte. As linhas avermelhadas percorrem a superfície do tecido cru, registrando o percurso das mãos da artista de forma intuitiva. Cada movimento é um impulso do próprio material que responde ao instante. A produção é um exemplo de como a lógica construtiva nunca elimina as intervenções do acaso no processo criativo de Veszaro.
Como escreve Ana Avelar no texto curatorial que acompanha a exposição, a linha, antes de se manifestar como desenho, aparece na pesquisa da artista como fluxo.

Consuelo Veszaro, Derivações do equilíbrio, 2025
“Cada gesto abre um caminho ao mesmo tempo em que interdita outros. Assim, a cada linha registrada, outras tantas deixam de existir. (...) Veszaro negocia com o material a forma que ele vai assumir.”
– Ana Avelar
O desenho como matéria

Consuelo Veszaro, Deslocamento, 2026
Na série “Deslocamento” (2026), Consuelo Veszaro permanece trabalhando sobre a tela, mas substitui o bastão a óleo por materiais que conferem fisicalidade e espessura à linha. Fios de seda sintética e de cobre atravessam o suporte, criando volumes perceptíveis apenas aos olhares mais próximos da obra. As texturas sobrepostas, por vezes levemente distanciadas da base, também projetam sombras sobre ela que emaranham mais e mais a composição.
Ainda estamos diante de um plano, mas ele já demonstra um evidente desejo de expansão para o tridimensional.

Consuelo Veszaro, Deslocamento (detalhe), 2026
A mudança transforma também a relação da artista com o trabalho em seu processo de criação, pois exige gestos incisivos, além da feitura de dobras e amarrações para os desvios do desenho. Nesse sentido, a negociação com a linha passa a ser mais física.
O desenho como corpo no espaço
Além das paredes, na exposição, esqueletos de pernas alongadas erguem-se sobre o piso, como bichos amorfos. Nas esculturas em ferro e latão, o traço finalmente abandona o plano e passa a ocupar integralmente o espaço expositivo, criando, para os visitantes, uma relação de um corpo diante de outro.
Avelar descreve esses trabalhos como “estruturas em estado de formação, redes que se expandem para além do espaço que as contém” – definição que também poderia se aplicar às pinturas, por exemplo. Em todas as linguagens, a crueza dos materiais reforça a ideia de autonomia da forma.

Vista da exposição “Dinâmica do equilíbrio”, de Consuelo Veszaro, no MACRS, em Porto Alegre, 2026.
Se na pintura, por vezes, a artista não faz uma distinção hierárquica entre plano “de fundo” e desenho, compreendendo o primeiro também como forma ativa da composição, nos trabalhos tridimensionais os vazios continuam tão importantes quanto os segmentos metálicos.
Ainda assim, essas não representam um estágio posterior da pesquisa, mas outro modo de experimentar a mesma questão. Arqueando a linha no ar, Consuelo Veszaro permanece construindo, essencialmente, desenho.
O desenho virtual e projetado
O ambiente expositivo produz ainda uma quarta manifestação do desenho. A iluminação projeta as sombras das esculturas sobre as paredes, criando desenhos efêmeros que passam a integrar a experiência da mostra. Essas prolongam a pesquisa da artista ao devolver o tridimensional novamente ao plano. Surge, assim, uma presença imaterial que existe apenas na relação entre escultura, iluminação e olhar do visitante.

Vista da exposição “Dinâmica do equilíbrio”, de Consuelo Veszaro, no MACRS, em Porto Alegre, 2026.
Essa coexistência revela como em “Dinâmica de equilíbrio”, a linha manifesta-se simultaneamente em traço, matéria, corpo e projeção, de maneira que cada uma dessas formas amplia a anterior e faz com que a exposição seja compreendida como uma investigação abrangente sobre os modos de construir por meio da linha.
Visite a exposição
"Dinâmica do equilíbrio", de Consuelo Veszaro, está aberta à visitação até 26 de julho de 2026, no MACRS, Galeria Augusto Meyer, no 3º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), no Centro Histórico de Porto Alegre (RS). A entrada é gratuita.

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