ART.PE: estande G2
A Zipper Galeria participa pela primeira vez da ART.PE — Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, de 14 a 18 de outubro de 2026, no Recife Expo Center. No estande G2, a galeria apresenta uma seleção de obras dos artistas que representa. Parte delas foi feita em Pernambuco ou parte de imagens do estado.
Flávia Junqueira fotografou em 2021 três edifícios históricos da região: o Theatro de Santa Isabel e o Cinema São Luiz, no Recife, e o Mosteiro de São Bento, em Olinda. A artista ocupa esses espaços com balões e fotografa a cena. No Santa Isabel, os balões presos por fios tomam a plateia e os balcões sob o lustre central. As imagens fazem parte do percurso de Flávia pelos teatros históricos do Brasil, que passa também pelo Theatro São Pedro e pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Camille Kachani apresenta D’après Frans Post: vista de Olinda (2026). O pintor holandês Frans Post chegou ao Brasil em 1637 e ainda pintava Olinda em 1662. Kachani refaz uma dessas vistas à mão, em nanquim e grafite sobre papel: a igreja em ruínas, as figuras no caminho e o rio ao fundo ficam atrás de uma vegetação que ocupa o primeiro plano. O trabalho continua a pesquisa da individual Uma contra-história do Brasil (Zipper Galeria, 2025), em que o artista relê a história oficial do país a partir dos povos silenciados por ela.
Rodrigo Braga nasceu em Manaus, cresceu no Recife e se formou em Artes Plásticas pela UFPE, em 2002. Ele se define como “fotógrafo agricultor”: cada imagem começa num desenho e é construída no lugar, com terra, água, carvão e o próprio corpo, sem pós-processamento digital. Na ART.PE, mostra bandeirolas, um estandarte e as peças Equilíbrio aparente da série Ponto Zero: pinturas em carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão, presas à parede por hastes fundidas em latão, como na individual Um presente para o futuro (Zipper Galeria, 2026). Completam o conjunto as fotografias Aurora (2024) e Presságio (Fulgor #01) (2025).
Janaina Mello Landini trabalha com o fio como estrutura. Arquiteta de formação, criou em 2010 o neologismo "ciclotrama" para nomear a pesquisa em que aproxima matemática estrutural e filosofia para pensar como a unidade se vincula ao conjunto em sistemas de rede. Uma corda é desmembrada em filamentos mínimos, que se abrem sobre a tela segundo algoritmos e segundo as forças da matéria: peso, torção, tração, tempo. As irregularidades não são corrigidas e passam a constituir a obra.
Na leitura da artista, cada Ciclotrama é metáfora de um fluxo que se converte em volume, como nos deltas de uma bacia, em que o que está oculto não é ausência, é acúmulo. Em Ciclotrama 420 (superstrato), díptico de 150 x 150 cm, a corda trançada atravessa a junção das duas telas e se abre em filamentos para os dois lados. Em Ciclotrama 407 (fungi), fios de cores e espessuras distintas se sobrepõem em camadas sobre o linho. As duas são de 2026, ano de Acorda, sexta individual da artista na Zipper, e da retrospectiva de Iris van Herpen no Brooklyn Museum, que também integra.
Daniel Mullen, escocês radicado em Roterdã, pinta por veladuras, técnica que aprendeu numa escola Rudolf Steiner: camadas finas e translúcidas de acrílica sobre linho cru, muitas vezes com apenas três cores primárias. Cada camada altera a cor da que está por baixo. Na série Proximity, faixas verticais se repetem de uma borda à outra; a cada passagem, o desenho se desloca, e a superfície parece dobrar-se em profundidade no centro da tela.
De longe, as pinturas parecem feitas em computador; de perto, mostram a mão e o linho entre as faixas. A pesquisa parte dos estudos de cor de Josef Albers e Johannes Itten e de uma observação de Henri Matisse que deu título à individual do artista na Zipper em 2025, Nothing in Isolation — Nada Isolado: nenhuma cor existe sozinha, e o sentido está na relação.
Ivan Grilo tem a literatura como base do trabalho. As frases que escreve são fundidas em bronze, metal associado ao monumento e à permanência, para guardar o que é transitório: gestos, esperas, pequenos rituais. Muitos textos têm tom de mantra e só se completam quando alguém os lê em voz alta, e quem lê passa a ser o locutor da obra.
Trecho de luz entre dois milagres (2024) é uma placa estreita, de 13 x 50 cm, com o título em relevo numa única linha. Novos bálsamos sagrados (dividir, desfrutar, agradecer) (2026) lista catorze ações no infinitivo, como "olhar nos olhos", "entender-se frágil" e "pedir ajuda ao mistério", e o subtítulo retoma os três verbos que fecham a lista. Suas obras estão em acervos como o do MoMA e o do MASP.
Giovani Caramello esculpe pessoas comuns em escala alterada. O processo começa num desenho, feito a partir de imagens da internet ou de pessoas do seu convívio. Depois vem a modelagem 3D, a impressão no tamanho final e camadas de plastilina que constroem pele, dobras e anatomia. Só então a figura é moldada, tirada em resina e pintada à mão.
O hiper-realismo não busca a ilusão completa: as proporções se afastam do corpo natural, e a resina policromada aproxima as figuras de uma ilustração tridimensional. Sem cenário e sem outras personagens, a narrativa fica na postura e no rosto. Em Sem título (2026), um menino de mochila, camiseta branca e bermuda jeans está parado de pé, braços junto ao corpo, em 60 cm de altura. O tema que atravessa a pesquisa é a impermanência: o tempo vivido, a solidão, a fragilidade diante dos anos.
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Camille KachaniD'après Frans Post: vista de Olinda, 2026Técnica mista sobre papel, nanquim e grafite105 x 173 cm -
Camille KachaniD’après Frans Post, Dia de Festa no engenho, 2019Técnica mista57 x 60 x 22 cm -
Daniel MullenProximity extention nº3, 2026Acrílica sobre linho130 x 120 cm -
Daniel MullenProximity extention nº1, 2026Acrílica sobre linho130 x 120 cm -
Daniel MullenProximity VII: pink-tourqoise shift, 2025Acrílica sobre linho100 x 90 cm -
Flávia JunqueiraCinema São Luiz #1, 1952, Recife, 2021Pigmento mineral sobre papel de algodão150 x 203 cm -
Flávia JunqueiraMosteiro de São Bento #1, 1599, Olinda, 2021Pigmento mineral sobre papel de algodão130 x 215 cm -
Flávia JunqueiraTheatro de Santa Isabel, 1841 #1, Recife, 2021Pigmento mineral sobre papel de algodão150 x 190 cm -
Flávia JunqueiraTheatro de Santa Isabel, 1841 #2, Recife, 2021Pigmento mineral sobre papel de algodão150 x 210 cm -
Giovani CaramelloSem título, 2026Resina e tinta acrílica60 x 28 x 28 cm -
Ivan GriloTrecho de luz entre dois milagres, 2024Bronze13 x 50 cm -
Ivan GriloNovos bálsamos sagrados (dividir, desfrutar, agradecer), 2026Bronze30 x 21 cm -
Ivan GriloVoilà mon coeur, 2026Bronze21 x 30 cm -
Janaina Mello LandiniCiclotrama 407 (Fungi), 2026Fios variados sobre linho95 x 62 cm -
Janaina Mello LandiniCiclotrama 420 (superstrato), 2026Fios variados sobre linho150 x 150 cm (díptico) -
Rodrigo BragaPresságio (Fulgor #01), 2025Pigmento mineral sobre papel de algodão90 x 60 cm -
Rodrigo BragaAurora (da série Ponto zero), 2024Pigmento mineral sobre papel de algodão120 x 80 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #24 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão37 x 44 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #19 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão44 x 50 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #18 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão26 x 38 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #20 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão36 x 49 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #22 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão52 x 47 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #26 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão63 x 50 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #25 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão68 x 50 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #27 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão63 x 73 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #23 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão52 x 50 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #28 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão36 x 52 cm -
Rodrigo BragaBandeirola #29 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão52 x 50 cm -
Rodrigo BragaEquilíbrio aparente / Galhos (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão50 x 82 cm -
Rodrigo BragaEquilíbrio aparente / Ovos (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre lona de algodão e hastes fundidas em latão50 x 82 cm -
Rodrigo BragaEstandarte #1 (da série Ponto zero), 2026Carvão, pigmento mineral e acrílica sobre linho de algodão e hastes fundidas em latão110 x 70 cm

